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segunda-feira, 9 de novembro de 2020
PRISÃO
Os círculos socias o cercavam por todos os lados
Eles tentavam o caracterizar ...
Ele foi um romântico sonhador
Mas com o tempo desistiu de lutar...
Ele sabia que fazendo o que os outros queriam Nunca seria livre...
Nunca poderia escapar...
E os muros da cidade o prendiam...
Os senhores ditavam suas regras alto de mais, Achavam que seus sonhos poderiam comprar...
Os barulhos da cidade ecoavam em sua mente uma música infernal ...
Conheceu milhares de pessoas
E achava todo mundo igual,
Ninguém prendia mais sua atenção
Ninguém mais acelerava seu coração
Os compromissos levavam metade de sua vida,
Já a outra metade ele gastava dormindo,
Pois estava cansado de mais para...
...Sonhar
...Lutar
...Amar ...
Mas ele não desistia pois sabia que sua hora iria chegar
E ele não precisava muito pra ser feliz
Só observar o luar
Ou olhar para seu olhar
Desde a primeira vez que ele a viu
Ele sentiu
Que ela também não pertencia aquele lugar
E quando ela sorriu
Todo seu mundo veio a iluminar
Em seu rosto angelical encontrou o sentido da vida
O que era amar...
Ela não o pertencia
Ele nem sabia se a merecia
Mas o que ele sentia
Ela sabia e também sentia
Foi como se tivessem destinados a se encontrar
Naquela prisão
Naquele lugar
Nem as regras e nem o tempo
Iriam os separar...
27 de outubro de 2020
domingo, 10 de março de 2019
sexta-feira, 28 de dezembro de 2018
Mais uma noite no hotel
Precisei ir longe
Para encontrar alguém de perto
O destino é tão esperto
E adora brincar
Não foram precisas muitas palavras
Para te conhecer
Ficar curioso
Tentar te entender
Bastou um sorriso
Pela tela do celular
Para fazer eu me encontrar
E tudo começou assim
Um sorriso aqui
Uma foto ali
Um chimarrão te ofereci
Para esquentar uma manhã fria
E quem diria
Que a conversa dali seguiria
Aos poucos fui descontraindo
Descobrindo
Uma menina encantadora e divertida
Cujo sorriso lindo
Também me fez sorrir
Trocamos dia pela noite
O chimarrão pelo whisky
E confesso que àquela hora da madrugada
Já não queria mais dormir
Apenas te beijar
Já não sabia mais o que era apropriado
Certo ou errado
Mas quem sou eu para decidir?
Buenos Aires, 24 de julho de 2018
OCEANO DE SAUDADES
Certos lugares...
Certas pessoas...
Te fazem lembrar
Momentos bons passados
Dias ensolarados
Que não vão mais voltar
É incrível como lembranças
De outrora boas
Hoje nos entristece
E a alma carece
Perdida em memórias
Com isso lembramos
Que tudo na vida é temporário
Que o amor eterno é imaginário
Que da felicidade a tristeza
É um caminho tão curto
Basta apenas piscar os olhos
Está tudo mudado
Tudo diferente
E de repente
Da gente
Nada restou
Orgulho
Princípios
Falsas promessas
Cada ferida
Cada partida
É um pouco de terra
Que jogam sobre nós
Mas ainda podemos escapar
Não estamos a sete palmos
Ainda podemos mudar...
São Lourenço do Sul, 26 de junho de
2018
MEMÓRIAS
Anos se passaram
Estudei
Trabalhei
Me cansei
Do que adiantou?
E no final de tudo o que restou?
Demorei tempo de mais
Para perceber
Que as coisas mais simples
São as coisas que a tempestade não levam
Tudo que conquistei
O tempo levou
Tudo que um dia sonhei
O tempo apagou
E o que restou?
Apenas lembranças de tudo que vivi
Tudo que aprendi
E arrependimentos do tempo
Que perdi
Pelotas, 12 de Abril de 2018
terça-feira, 14 de novembro de 2017
CONVERSANDO COM A MORTE
Era um dia de semana normal, o homem havia tirado folga do serviço e estava ele desolado, perdido com as coisas que aconteciam no mundo, e ao mesmo tempo, cansado do comportamento dos humanos ao seu redor.
Os momentos que ele tinha de folga, queria apenas se isolar da sociedade e das pessoas. Pois achava todos iguais, todos mesquinhos. Ali pelo menos ele poderia esquecer de todos seus problemas por algumas horas.
Ele estava em uma grama verde, a sua frente a linda imagem da Laguna dos Patos, o dia estava meio frio e a praia lá distante estava deserta. Somente sons da natureza eram escutados, o vento, as ondas, os pássaros cantando ao longe e ele ali deitado, olhando para o mar e pensando sobre o sentido da vida.
Por um momento tudo pareceu congelar, o vento parou, o mar ficou calmo e os pássaros já não cantavam mais. O homem sentado na grama, sentiu uma
presença em suas costas, então virou-se rapidamente e viu alguém totalmente de negro, uma manta negra que cobria todo seu corpo, inclusive seus pés. Nas mãos usava luvas negras, e na cabeça um enorme capuz também negro, que cobria todo seu corpo. Era algo assustador, a figura misteriosa então pergunta com uma voz grave:
— Chamaste?
O homem assustado pergunta:
— Quem és tu? Fez a pergunta, mas já imaginava a resposta.
— Sou o fim de tudo que vive. Sou o ceifador.
— Então. Chegou minha hora?
— Ainda não, a não ser que esteja pensando em tirar sua própria vida, se é assim estou no local certo.
A criatura de negro sentou-se na grama ao seu lado. Seu rosto ainda não poderia ser visto, pois o capuz enorme cobria totalmente.
— Se não vou morrer, o que fazes aqui?
— Estou em todos os lugares. Nesse momento estou com uma criança que morreu de fome na Africa. Estou com um chinês atropelado em Pequim. Estou com um suicida que cortou os pulsos em São Paulo. Só hoje já morreram mais de setenta mil pessoas, e ainda é manhã.
— E com tanto trabalho, por que resolvesse aparecer para mim?
— Acompanho seus questionamentos sobre o sentido da vida. Leio seus textos sobre isso. Achei que era hora de termos uma conversa. Afinal, você é escritor, e eu sou um de seus personagens.
— Vai me responder qual é o sentido da vida?
— Achei que você fosse me responder isso. Você tem uma vida. Você quem a escreve.
— E você as tira, deveria saber mais que eu, já que vem a milênios acabando com os sonhos de muitas pessoas. Por que morremos?
— Tudo tem um inicio e um fim. É só parar para analisar, até o universo. Algumas coisas duram mais tempo que outras, mas tudo acaba. Me julgas, mas não sabes quem sou eu. Não sou eu quem mata as pessoas. Só estou lá para fazer meu trabalho.
— Se não é você que tira a vida das pessoas, o que faz aqui? Qual seu trabalho?
— Estou aqui agora, por que assim me chamaste. Você acredita na morte?
— Claro que sim, pessoas morrerm todos os dias. E agora estou aqui, cara a cara com ela.
— Sim, pessoas morrem todos os dias, elas morrem a cada segundo. Principalmente os humanos que são feitos de transformações, eles morrem tantas vezes durante a vida, que se perde as contas de quantas vezes eu estou lá para ceifá-los.
— Do que está falando?
— Quantas vezes você já morreu?
— Estou aqui, nunca morri.
— Digo que você já morreu várias vezes. A cada mudança sua, seu eu antigo morre. A cada desilusão, seu eu antigo morre. Cada pessoa que você machuca, você morre para ela.
— Você está me enrolando, sabe que não estava falando desse tipo de morte. Não estou falando do sentido poético.
— Sim, mas essa é a resposta para sua primeira dúvida. Qual o sentido da vida? Enquanto você estiver vivo dentro de alguém, talvez você nunca morra de verdade. E afinal, o que é a vida sem poesia.
— Quer dizer que a morte gosta de ler poemas?
— Alguns, ultimamente não temos nada bom e infelizmente já tive que ceifar os maiores escritores que o mundo viu. Com eles eu podia conversar de verdade. Teve um que me desafiou para uma partida de xadrez, se ele ganhasse eu não o levaria, mau sabia ele que eu sou mestre de xadrez. Mas foi uma boa partida.
O homem ficou encarando a criatura de negro.
— Mas enfim, pensei que irias me explicar o que acontece. Por que morremos, para onde vamos?
— Todos sabemos essas respostas, está tudo em você.
— Ninguém sabe essa resposta, é o que todos querem saber.
— A vida é feita de momentos, tudo é momento. A vida está no agora, não no passado, nem no futuro, nesse momento você é eterno. Sempre será. A palavra correta para a vida é continuação. Sequencia de momentos infinitos é o que chamamos de vida. Você é o que sua mente quer que você seja. É uma ilusão perfeita de realidade.
— Se eu tivesse todo esse poder que diz que tenho. Por que não posso trazer quem morreu de volta?
— Como você vai trazer quem não está morto de volta?
— Meu tio, ele morreu ano passado, eu gostava muito dele. Ele simplesmente se foi. Vítima de cancer.
— Lembra-se de quando ele te deu um tênis e ambos foram jogar futebol juntos? Aquele tênis que você tanto queria?
— Sim.
— Lembra-se quando vocês sentavam juntos na mesa do bar e jogavam cartas e se divertiam, dando muitas risadas? Você o ajudava a cuidar do bar.
— Claro que sim. Tivemos muitos momentos juntos e a maioria deles foi de alegria.
— Então. Ele está vivo. Todos esses momentos estão vivos, nesses momentos ele ainda existe, e tudo isso está aqui. Falou ele levantando a mão e tocando na cabeça do homem. — E aqui. Agora tocou em seu coração. — O que eu lhe disse, a vida é momento. E somos eternos nesses nossos momentos. Por isso devemos aproveitar cada segundo com quem gostamos. Isso é a vida. A ilusão perfeita.
— Se o que estás propondo faz algum sentido, os momentos não são eternos. Todo mundo morre, quando esquecemos. Quando esquecemos os momentos se apagam e as pessoas que fizeram parte desse momento morrem. Então é assim?
— Relativamente. Ninguém morre, somos todos eternos. Para haver final da vida, tem que haver um inicio de vida. Não concordas comigo?
— Sim, não pode terminar o que não tem um começo.
— O que havia antes de você nascer?
— Ninguém se lembra, eu guardo memórias a partir dos meus 3 anos, e coisas muito vagas.
— Mas você existia antes disso não?
— Sim.
— Os momentos não estão presos a lembranças. A saudade sim. Quando você esquece alguém, ela está morta para você. Mas ela não está morta realmente, em algum lugar, algum momento essa pessoa estará viva em algum tempo, ou na cabeça de alguém. Tudo é ilusão. Você é o que seu cérebro aprendeu e diz que você é. Olha que curioso, mas antes de você aprender, você já existia. Você foi se transformando e aos poucos morrendo, e se tornando outro. Viu quantas vezes você já morreu, e quantas vezes eu já te visitei?
— Isso faz sentido.
— Muitos querem saber o segredo da Imortalidade, e eu estou te dizendo isso. Aproveita cada momento, com quem você ama, fazendo o que você gosta, e serás eterno. Julgue menos, ame mais. Brigue menos, faça mais amor. Diga o quanto ama alguém, nunca, em hipótese nenhuma troque um sorriso verdadeiro, por nada. Não venda sua vida por dinheiro, não desperdice seu tempo com coisas que te fazem mal. Viva.
Os olhos do homem se enxeram de água com a fala da morte.
— Enfim, agora terei que ir embora, um furacão se aproxima dos EUA. Preciso de total atenção lá por uns minutos. Nos encontraremos novamente.
— Espero que não tão cedo.
A figura então soltou uma risada alta e grave e desapareceu, e o vento voltou a soprar. Os sons voltaram, o homem sentado perto do mar, então olhou no relógio e viu que o tempo não havia passado. Nem sequer um minuto passou, desde o início da conversa.
domingo, 24 de setembro de 2017
A bela misteriosa do ônibus
Sempre a via subir no ônibus
Muitas vezes em pé na minha frente ficava
Desembarcava rápido
Mas sempre que ela chegava
Sentia que o tempo parava
E eu, assim como o tempo
Também congelava
Não conseguia parar de olhar
Nem com ela falar
Seus cabelos loiros
E seus olhos em tons claros
Que nunca olhavam para lugar nenhum
Nunca olharam para mim
E eu continuo assim
Apenas a admirando
Querendo tirar um riso
Do seu rosto sério
Sua pele branca me hipnotizava
Desde a primeira vez que a vi
Meus olhos se perderam
Era um ser angelical
Com um corpo fenomenal
Com certeza a menina mais linda que já vi
E por quem me perdi
Sem ao menos conhecer
Ou lhe ouvir
Dia pós dia
A gente se encontrava
Algum dia ela faltava
E no outro aparecia
E eu ali
Não sabia
Quem era
Apenas onde subia e descia
O tempo foi passando, e nunca mais a encontrei
Nem nos ônibus da vida
Nem outro lugar
Nunca soube onde procurar
A bela misteriosa
Que eu sempre quis encontrar
E esse poema entregar
André Feijó Alvarez
04/07/2017
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